O movimento cultural desenvolvido pela comunidade angolana, sobretudo pelas mulheres em Portugal, consolida-se com o passar dos anos, afirmou, a artista multifacetada, Cutana Carvalho, residente em Lisboa.
Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, no âmbito das actividades realizadas para a promoção dos seus trabalhos artísticos no mercado, a angolana explicou que, aos poucos, os africanos, em particular os angolanos, vão-se evidenciando, fundamentalmente pela música, dança, literatura e outros eventos culturais em terras lusas.
As mulheres, frisou, têm conquistado o espaço na velocidade necessária, tanto que a maior parte dos eventos culturais nas comunidades africanas têm sido organizados por senhoras. “Uma mulher determinada deve defender que os resultados a serem alcançados, dependem do posicionamento que teremos hoje.”
Cutana Carvalho explica que as mulheres afro-descendentes e africanas têm conseguido conquistar o mercado europeu, por via do mérito. Numa visão geral, referiu, Portugal é um país que “abraça as artes produzidas pelas comunidades africanas nas variadas disciplinas”. “É um dos mecanismos que os africanos têm para evidenciar as suas dinâmicas culturais e também não se sentirem tão distantes dos seus países de origem.”
Um dos primeiros desafios que muitos africanos enfrentam na Europa, segundo Cutana Carvalho, é o choque cultural, a falta de documentação e o agenciamento dos artistas. O facto de ser uma pessoa extremamente focada, disse, ajudou bastante a ultrapassar as barreiras dos preconceitos raciais. “Prefiro quase sempre gastar energias em coisas das quais me ajudam a subir para o próximo nível.”
Em Agosto do ano em curso, Cutana Carvalho encerrou a terceira edição do CPLP Fashion Week, maior evento de moda nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PAPOP), em Portugal. A cantora e escritora deu o ar de graça com os temas “Futuro seguro” e “Aceita só como está”.
O desfile, disse, foi produtivo por permitir jovens estilistas de Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Brasil e outros países da comunidade lusófona apresentarem as suas marcas e promoverem os traços culturais dos respectivos países.
Cutana Carvalho é uma mulher multifacetada. É escritora, cantora, empreendedora e técnica comercial na banca. Movida pela necessidade de expressar as emoções e contribuir para o desenvolvimento e crescimento do ser humano, Cutana Carvalho recorre às artes como a melhor forma de partilhar as vivências.
Isabel Paula Cutana de Carvalho nasceu no distrito urbano da Ingombota, em Luanda. Em 2019, lançou nas plataformas digitais o álbum de estreia “4 eventos”, como sendo a primeira angolana a lançar um álbum exclusivo nas plataformas digitais.
Em 2020, já a viver em Lisboa, estreou-se como produtora, realizadora e apresentadora do programa radiofónico “Tudo posso”. Estreou-se no mundo da literatura com o áudio-book “Sendo eu” a 16 de Abril de 2022, no Dia Internacional da Voz. Em 2023, recebeu o Prémio de Mérito Migrante, na Assembleia da República de Portugal, pela Associação Lusofonia Cultura e Cidadania (ALCC).
Fonte: JA